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Menina Rosário, de Fátima, Portugal, partiu hoje. Nas terras lusitanas, lá onde nossas origens repousam, eles costumam usar “menina” para as mulheres que não se casam. Quando a conheci pessoalmente, eu já fazia parte de sua vida por meio do Programa Direção Espiritual. Tinha um amor respeitoso por mim. Chamava-me de “Padre Flávio.” No primeiro encontro, contou-me a história de sua vida, boa parte vivida ao lado do irmão padre, ajudando a cuidar da paróquia que ele administrava. Quando se despediu de mim, colocou um envelope no meu bolso. Abri e lá estavam 30 euros. Corri, agradeci, disse que não precisava daquele dinheiro. Ela me disse: “eu sei que o senhor padre não precisa receber, mas eu preciso lhe dar. Compre um doce, lembre-se do bem que o senhor sempre me fez!” E assim foi. Toda vez que fui a Fátima, menina Rosário vinha me ver. Efusiva, engraçada, contava histórias, oferecia amor, derramava alegria sobre o meu coração. Ao se despedir, um envelope sempre ficava em meu bolso, colocado por ela. Hoje, ao receber a notícia de sua partida, senti meu coração se apertando no peito, como se percebesse o prejuízo de não ter mais a oportunidade de revê-la. O mundo fica mais pobre toda vez que uma “menina Rosário” fecha os olhos. Eu nunca mais terei o simbólico daquele envelope. Os euros que poderiam comprar doce valiam infinitamente mais do que indicavam os números que estavam registrados nas cédulas. Os envelopes de menina Rosário eram recheados de gratidão e amor. E isso, definitivamente, nenhum dinheiro no mundo pode comprar. Obrigado, minha amiga querida! O céu é para pessoas como você! ❤️🙏 Foto: @antonio_marto